23.9.04


Pergunta 7: E esse papo de "metades da laranja"?

Se as metades das laranjas são dois amantes, como elas podem ser dois irmãos? É um relacionamento incestuoso? Ah, sim e não deveria ser duas irmãs? - pergunta feita pela internauta Sakana

Antes de mais nada, é preciso assinar embaixo ao comentário da Erica: não acredite no Fábio Jr. Um sujeito que não conseguiu levar adiante seus casamentos não merece crédito.

Brincadeiras à parte, tenho uma teoria bastante particular ao analisar expressões da moda, como "metades da laranja", "almas gêmeas", "carne e unha", etc. Encaro da mesma forma que o Padre Quevedo diante de assombrações, fantasmas e afins: isto non ecxiste.

Senão, vejamos: você passa boa parte da sua vida em busca de seu parceiro ideal. Aquele que te complementa, que dá o encaixe perfeito. A tal "metade". Como se estivesse faltando algo em você.

Pois analise friamente: falta algo na sua vida? Você se considera mesmo uma "metade"? Vou mais longe: lembre-se daquele casal que certamente você conhece, absurdamente dependentes um do outro. Parece algo romântico como a canção do Fábio Jr.?

Agora que você já se deu conta que é um "inteiro", encare os fatos: ninguém busca "a outra metade", mas outra pessoa "inteira". Alguém como você, cheia de qualidades e repleta de defeitos. Duas pessoas que vão se apaixonar e alimentar o desejo de construir um novo relacionamento, compartilhar coisas, respeitar diferenças e descobrir a felicidade a cada dia.

Encarando assim, parece fácil. Nem precisaríamos de um FAQ do Amor...

10.9.04


Pergunta 6: Por que Murphy mexe com quem não deve?

Se você estava solteiro e arranjou alguém especial, vai chover pretendente na sua horta

É sempre assim: você demora meses, talvez anos pra conseguir uma companhia que preste. Mas aí você acha o namorado ideal. Fica feliz da vida. Nem acredita que encontrou a tampa da sua panela de pressão. O tempo passa, voa, e as coisas continuam excelentes.

Tudo vai bem. Você não precisa de outra pessoa que não seja aquela. Aquela lá. A especial. A única. Só que um dia vocês começam a brigar. E no momento em que você está mais indecisa — embora inclinada a pedir desculpas pro cara da sua vida — surge, do nada, alguém que estava enterrado no passado.

Coisas que podem acontecer a partir daí:

1-) Aparece, do nada, aquele amigo que você pagava um pau e ele nada...Vocês começam a conversar. O cara diz que vai mal com a namorada (que por sinal é uma amiga sua, daquela época não-tão-dourada-assim). Ele pergunta do seu namorado. E em poucos minutos você descobre que o melhor partido de dois ou três anos atrás também estava de olho em você. Aham, ele quase chegou em você na festa, mas você, estúpida, ficou com um carinha que nem lembra mais o nome. Mas também, você estava lá, sabendo que o amigo era inacessível, por que não aproveitar a balada com um bonitinho que estava disponível? Tonta. E pensar que hoje, dois, três anos depois, ele confessa que estava a fim de você. E você achando que estava delirando. Isso é coisa de Murphy.

2-) Depois de anos escondido no ICQ, seu ex-namorado te resolve tirar da "invisible list" dele. Ele é tão atencioso que dá pra desconfiar. Pergunta como estão suas irmãs. Se você está trabalhando muito, o que está fazendo da vida. E por fim, se você está namorando. Quando diz que sim e pergunta se ele também está, o infeliz diz que não. Ele diz que perdeu a mulher da vida dele. Pasme, ele tem a cara-de-pau de dizer que é você. Isso só pode ser coisa de Murphy.

Por enquanto, Murphy me proporcionou essas duas situações. Quando acontecer outra, eu volto aqui.

2.8.04


Pergunta 5: O que nos torna especiais diante dos outros?

As declarações de amor são todas iguais. São mesmo?

Em tempos de internet, vivendo no "gueto" das comunicações, artes e tecnologia, não é raro encontrar “pistas” de onde andam, e como vivem, os ex-namorados. A maioria já deve estar namorando novamente, assim como você. E de repente, num dia de tédio na internet, você descobre um site daquele que foi seu grande amor durante 3 anos. E descobre, um pouco pasmada, que ele fala, para a nova consorte, as mesmas coisas que dizia a você. Da mesma forma, usando as mesmas palavras.

E aí nasce a pergunta que não quer calar: o que nos torna especiais diante dos outros? Podemos acreditar nas palavras que ouvimos daquele que achamos ser um amor para a vida toda? Ou as palavras são mesmo todas iguais, e o resultado disso é que muda a namorada, mas as declarações de amor permanecem iguais?

Os gestos de carinho podem mudar, sim. Mas um pouco. Levemente... Se seu namorado atual não é muito dado a declarações de amor em público, pode apostar que ele agia da mesma forma com a ex. Se ele era dado a grandes cenas de amor, seu novo amor continuará agindo assim, talvez dizendo as mesmas expressões em italiano que ele costumava escrever para a outra...
Mais uma vez, a força das evidências mostra que, mais importante do que se diz, é o que se demonstra. Palavras – novamente - são traiçoeiras, e um pouco vãs. Você pode acreditar nelas se quiser, mas um gesto continua valendo, sim, muito mais do que mil palavras. São eles que vão dizer o quanto significamos, ou não, para a pessoa que está do nosso lado.

21.7.04


Pergunta 4: Por que não posso sonhar?

Será ingenuidade a minha viajar na imaginação e sonhar com um relacionamento perfeito, sem brigas e discussões, onde tudo acontece às mil maravilhas?

Sonhar não paga imposto, nem é proibido por lei. Fique a vontade para idealizar seu cônjuge encantado. Lembre-se apenas que, para que todos os seus planos se realizem, é preciso deixar este mundo e mudar-se para outro. Não acredita?

Pois existe sim um lugar onde as pessoas são perfeitas, sim. Todos permanecem sorrindo durante todo o dia. As mulheres, maravilhosas, deliciam-se com goles de cerveja gelada. Os homens fazem questão de ostentar sua boa saúde, mesmo com um Marlboro fumegante entre os dedos.

Em casa, tudo é uma Brastemp. A família toda acorda bem cedo, com os primeiros raios de um sol maravilhoso entrando na fresta da janela. E aquela margarina irresistível, derretendo no pão quentinho? Tudo leva a crer que será mais um enfadonho dia maravilhoso - e será ainda melhor se o almoço for em uma daquelas lanchonetes fast-food sensacionais. Ah, amo muito tudo isso...

Papai e mamãe saem para trabalhar, cada um em seu carro do ano, ambos impecavelmente lustrados. Para chegar à prazerosa labuta, nada de estresse: paisagens bucólicas e estradas exuberantes, sem nenhum buraco. Aquele sorriso do terceiro parágrafo não sai do rosto de ambos em nenhum momento. Antes do sol se por, ainda há tempo de bater uma bola com os amigos. Sempre tomando cerveja, claro. E rápido, antes que um siri maluco resolva aparecer do nada gritando "nã nã nã nã".

Bizarrices, bizarrices. Mas tudo bem, afinal, nem tudo pode ser perfeito. Coisas assim são necessárias para quebrar o ritmo desse lugar incrível, onde as regras das mulheres e o xixi das criancinhas possuem a mesma cor azul-real...

Já descobriu onde fica essa região maravilhosa, né? Claro que já. Obra de três ou quatro seres supremos, criadores desse mundo estúpido - que só existe na cabeça deles e nos intervalos da TV. Quando o assunto é relacionamentos, eles capricham, ainda mais em véspera de dia dos namorados: em cena, jovens casais inseparavelmente lindos, abraços, beijos apaixonados... Apenas para rebaixar pessoas como eu, solteiros que não gostam de cerveja, não fumam e não possuem o carrão da moda...

A escolha é sua. Agarre-se em seus sonhos e lute por eles. Mas lembre-se que estamos longe do maldito mundo maravilhoso, onde só quem consome se dá bem. Em nosso bom e velho mundo, no lado de cá da telinha, mal dá tempo de engolir o café às seis da manhã, o carro quebra no meio do trânsito engarrafado, o trabalho é estressante, o almoço é raro... E principalmente: só as barangas te dão bola, as gostosas dão o fora e, quando seu namoro parece perfeito, alguém inventa de discuti-lo...

16.7.04


Pergunta 3: O primeiro amor é inesquecível?

Alguém consegue esquecer o primeiro amor?
 
O amor o invadiu a pontapés. Chegou sem ser chamado, sem permissão. E foi tão rápido que ele não percebeu. Tinha 16 anos, um a menos do que ela. Conheceram-se no trabalho, numa repartição pública na Zona Leste de São Paulo. Tão desacostumado da vida, achou aquele sentimento estranho, mas não conseguiu identificar o que era. E a resposta estava na cara. Coração palpitante, mãos dadas no caminho do supermercado para comprar chocolate, bilhetes deixados em cima da mesa (naquela época ainda não existia Internet).

Para ela, o amor chegou aos poucos. E foi assustador. Não por causa do sentimento, e sim pela situação. Tinha 17 anos e era casada. Isso mesmo, casada! Foi uma loucura, gravidez que não era gravidez, pressão, coação. E casou. Mas ainda era uma menina. E amava.

Ele gostava de ficar perto dela. De sentir o seu cheiro, ouvir a sua voz. Todos na repartição perceberam, mas ninguém comentou nada (se tivessem falado, o destino de ambos teria sido diferente: teria sido melhor).

Mas o mundo não é perfeito. E ele foi embora da repartição, mudou de cidade, de vida. Só depois de muito tempo percebeu que aquele sentimento era amor.  E se sentiu um lixo por não ter falado isso para ela. Arrependimento não mata, mas serve para que a pessoa tome decisões na vida. E ele decidiu prestar mais atenção no coração. Depois disso, amou demais. Sofreu, gozou, morreu. Mas até hoje pensa na vida que poderia ter levado com seu primeiro amor.

12.7.04


Pergunta 2: O que fazer quando o ex te perturba?

"Em tempo algum teve um tranqüilo curso o verdadeiro amor".
(Shakespeare, “Sonhos de uma noite de Verão”)


Você começa a namorar, está dando tudo certo, desta vez é pra valer. Mas aí, depois de um certo tempo (que varia para cada casal) pode surgir uma sombra pairando no ar: é o fantasma. Da (o) ex. O que fazer?

Sim, é fato: todo mundo tem ciúme, em maior ou menor medida. Mas o “monstro de olhos verdes” que atormentou Otelo não pode ser superior ao sentimento que une o casal. Então, o que fazer quando, digamos, a ex-namorada do seu amor começa a dar problema?

Começa com um telefonema desavisado no domingo à noite. Depois você descobre que os dois ainda mantêm a “amizade”. E é aí que nascem os conflitos.

O melhor a fazer, o que manda o bom senso, é, simplesmente, ignorar. E deixar bem claro para seu amor que, agora, é você quem está com ele. É lindo ser superior.

Mas a ex-namorada pode, sim, forçar a barra. Por ciúme, orgulho ferido, despeito ou, simplesmente, porque o amor, da parte dela (pelo menos) não acabou.

Ela pode ofender, pode tentar controlar a vida do seu namorado, pode fazer o diabo. Ainda assim, vale a regra: melhor ignorar. Os conselhos da vovó eram sábios: “o desprezo mata a pessoa, minha filha”. E é verdade!

Por isso, nada de vexames, lágrimas, grosserias em público. Seja superior. Se a tal ex enlouquecida ainda resolver dar trabalho, deixe claro para seu amor que não quer participar disso. Ela continua, mesmo assim? Ameaçou bater em você? Tentou cortar os pulsos? Liga compulsivamente para seu namorado? Chame a polícia. Certos casos só se resolvem mesmo na delegacia. Ou no hospital.

Agora, se essa história se arrastar por longos meses, ou, pior ainda, por anos a fio, sinto muito. Troque de namorado. Se ele não foi capaz de dar um basta nessa situação durante todo esse tempo, não cabe a você morrer por causa disso. Porque o amor, antes de tudo, tem de ser leve, e muito bem vivido. O resto é balela.

7.7.04


Pergunta 1: O amor existe?

Muito se fala sobre o tal do amor. Mas será que ele existe mesmo?

Eita perguntinha difícil, hein? O que afinal de contas é o amor? Da "flor roxa que nasce no coração dos trouxas" que você repete no prezinho até os "eu te amo" sinceros ditos ao pé do ouvido, nos momentos mais inesperados, o tal do AMOR te procura, te esquece, te pertuba e te encanta. Mesmo que você não o veja, ou não o sinta, ele está lá, a tua espera.

Então, a resposta é sim. O amor existe. Ele está na namorada que te trocou por outro cara, na vizinha que nunca te deu bola, na amiga que pensa em você todas as manhãs. Está nos beijos, no sexo, no cinema. Está no arroz que queimou, na roupa nova e nos óculos escuros. Está em você. E por estar em você é que você não o enxerga, que o procura em lugares impossível.

E o amor é mesmo uma flor roxa que nasce no coração dos trouxas. Ainda bem.